IRÃO, UMA SUPERPOTÊNCIA ENERGÉTICA À BEIRA DO FIM?

O Irão, hoje atacado pelos Estados Unidos e Israel, atravessa uma das crises mais graves da história recente, com 90 milhões de habitantes a lutar contra uma inflação e um colapso monetário sem precedentes. Além disso, possui 10% das reservas mundiais de crude e mantém uma produção próxima dos 3,3 milhões de barris diários, o nível mais alto desde 2018.

Antes do início da guerra desencadeada hoje, o Fundo Monetário Internacional (FMI) estimava que o Produto Interno Bruto (PIB) nominal do Irão seria de 375 mil milhões de dólares em 2026, o equivalente a 317,5 mil milhões de euros, ao câmbio actual.

Com tal valor, o país que se mantém como uma potência energética apesar da crise situar-se-ia em torno do 45º lugar em termos nominais, segundo a agência de notícias espanhola EFE.

O FMI previa que o crescimento real para este ano pudesse atingir 1,1%. Outras instituições como o Banco Mundial advertiam que a economia iraniana poderia contrair-se até 2,8% se as tensões militares se intensificassem, como está a acontecer.

O rial iraniano, a moeda oficial do país, atingiu em Janeiro deste ano o mínimo histórico, sendo trocado entre 1,4 e 1,5 milhões de riais por cada dólar.

Desde a revolução de 1979, o rial perdeu aproximadamente 20.000 vezes o valor original face ao dólar. Quanto à dívida bruta do país do Médio Oriente, a percentagem em relação ao PIB é de 36,4%. Esta instabilidade monetária fez com que a inflação se situasse nos 47,5% face a Janeiro de 2025.

No que diz respeito ao impacto económico nos alimentos e bebidas, a subida é de 105,5%, segundo o Centro Estatístico iraniano. Com esta inflação, o país situa-se entre as cinco economias com maiores subidas de preços.

O FMI estima que a taxa de desemprego do país seja de 9,2%.

Estes indicadores, “a deterioração sustentada das condições de vida e a má gestão crónica de serviços essenciais por parte do Estado, incluindo o acesso à água”, estão na origem dos protestos iniciados em Dezembro, segundo a Amnistia Internacional.

Apesar das sanções internacionais, o sector dos hidrocarbonetos, que representa 23% do PIB, continua a ser o motor económico da República Islâmica.

O Irão possui 10% das reservas mundiais de crude e mantém uma produção próxima dos 3,3 milhões de barris diários, o nível mais alto desde 2018. O impacto deste setor no PIB é de 23%, seguido da indústria automóvel, que representa 10%.

O país exporta entre 80% e 90% do petróleo para a China através de “frotas fantasma”, ou navios não identificáveis para contornar sanções, embora muitas operações sejam bloqueadas por organismos de supervisão, segundo meios especializados.

Esta opacidade e o risco geopolítico mantêm o investimento directo estrangeiro em 0,3% do PIB.

Antes de o Supremo Tribunal dos Estados Unidos ter declarado ilegais as taxas impostas pelo Presidente, Donald Trump emitiu uma ordem executiva que ameaça com novos impostos os países que mantenham relações comerciais com o Irão.

A Rússia já reagiu aos ataques deixando críticas ao executivo de Donald Trump. Dmitry Medvedev, figura próxima de Vladimir Putin e actual vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, deixou uma mensagem na rede social Telegram. “O pacificador mostrou a sua verdadeira face”, começou por escrever.

Na mesma mensagem, Medvedev acrescentou que os norte-americanos nunca quiseram chegar a um entendimento com o Irão nas negociações e que o objectivo sempre foi atacar Teerão: “Todas as negociações com o Irão não passaram de uma operação de disfarce. Ninguém queria chegar a acordo sobre nada.”

Foto. Líder supremo do Irão, Ali Khamenei

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